Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

Análise das Eleições Legislativas de 5 de Junho de 2011

Uma vez mais, o grande "vencedor" destas eleições legislativas foi a abstenção que granjeou a maioria na votação. O Presidente da República bem alertou para que o povo português corresse para as urnas de voto e demonstrasse a sua vontade política para estas eleições. Contudo, e como bons portugueses que somos, em vez de nos deslocarmos para as urnas de voto, optou, por não exercer o seu direito cívico e dar um mau exemplo de democracia.

Do que se adivinhava como uma das eleições mais participativas de todos os tempos, como resultado da revolta dos portugueses da situação aflitiva que Portugal vive e da própria condição de vida dos portugueses, afinal, esta previsão demonstrou-se contrária ao que se previa. Muito perto da maioria dos portugueses não gosta de tomar decisões, prefere deixar que outros decidam por eles, mas quando chega ao ponto de contestar, esta franja que é ausente nas votações é sempre a primeira a reclamar e a reivindicar. Um contra censo, mas é a mais pura realidade portuguesa!

Mas deixemos esta nota sobre a abstenção como um alerta e passemos ao concreto daqueles que foram os grandes protagonistas do resultado expresso pelos votos destas eleições legíslativas.

O PSD e Pedro Passos Coelho, foram claramente os grandes vencedores destas eleições legislativas. O líder, do agora maior partido de Portugal, foi muitas vezes apelidado de inexperiente e de carreirista, mas durante o tempo que mediou a sua eleição até ao culminar da campanha eleitoral, é certo que contra ventos e marés, soube unir o seu partido e alcançou um feito merecedor de destaque: ganhou as eleições com um programa que terá que se fundir com as exigências e medidas da troika.

É certo que beneficiou do cansaço dos portugueses e pelo desmoronamento de José Sócrates e do seu governo que acumulou momentos que culminaram numa espiral de descredibilização.

Fica a atenção se Pedro Passos Coelho, como novo Primeiro-Ministro de Portugal, consegue mostrar que pertence a uma nova geração capaz de romper com o bloco central e o compadrio e interesses onde o próprio PSD tem uma grande quota parte e se é capaz de aproveitar para reestruturar o país incutindo-lhe um novo rumo, uma vez que conseguiu alcançar o sonho de Sá Carneiro.

Um partido claramente vencedor destas eleições foi o CDS-PP. Cresceu em número de votos e aumentou a sua representatividade no Parlamento, de 21 para 24 deputados, sendo o seu total igual ao número de deputados da CDU e BE em conjunto – um objectivo alcançado!

Mas com o novo resultado alcançado, apesar de estar aquém do merecido e desejado, pelo exemplo de trabalho realizado pelo grupo parlamentar na última e curta legislatura, o CDS-PP assegura assim a maioria de deputados (116) na Assembleia da República e perante este cenário é certo que fará parte da solução e do próximo Governo de Portugal. Um novo desafio no horizonte próximo, determinante para a tão desejada estabilidade política e determinante no cumprimento das obrigações a que Portugal está sujeito, face à solicitação do pedido de ajuda externa.

É importante referir que o CDS-PP, tem já um eleitorado fiel, pela via das soluções e acções e não por via do clientelismo e assim está a conseguir mostrar-se que o seu crescimento é estrutural, afirmando-se como uma verdadeira alternativa ao PSD, ao mesmo tempo que assegura o futuro no panorama político com a conquista dos eleitores mais novos que se revêem, nas soluções de entendimento do mercado, da economia e do trabalho.

No que toca ao PS, ao seu Secretário-Geral e ao Governo, estes resumidamente perderam, como era desejado e esperado. Sobretudo pela descredibilização do seu Governo, graças a um vórtice de nome José Sócrates que a si chamou quase todos os episódios de desconfiança. Mas sobre isso já muito se escreveu. Mas interessa reforçar que foi nesta grande derrota que o PS encontrou a sua maior vitória ao ter visto José Sócrates sair e voltar à sua condição de militante de base do PS. Fica assim, solto desse agente patogénico e poderá voltar a negociar e ajudar o seu país em conjunto com outros partidos, de forma coerente, democrática e responsável.

A tradição ainda é o que era. O PCP continua a ganhar eleições atrás de eleições, sem perceber que a cada uma que passa vai perdendo terreno para as forças, imediatamente, à sua esquerda e à sua direita. Até nisto são extremamente conservadores. Provavelmente os mais conservadores do nosso espectro político. Insistem na batota de uma coligação que lhes permite ter o dobro do tempo de antena e de intervenção na Assembleia da República, mas que na verdade não passa de uma ficção e de um eco do líder dos comunistas.

A coligação CDU até ganhou mais um deputado, mas à medida que a sociedade envelhece lá vão perdendo a raiz eleitoral e não fosse o aumento médio da esperança de vida e já a representação seria menor. Não há muito mais por que esperar, quando o pilar ideológico se mostrou incapaz de trazer soluções ao mundo e a sua versão portuguesa continua a ser das mais ortodoxas na Europa e a achar que está bem assim.

O discurso das pensões e dos idosos não foi suficiente para travar o voto útil no PS, nem o derrape resultante de uma tomada de posição irresponsável ao não querer receber e negociar com os representantes da troika. O BE perdeu metade dos votos, metade dos seus deputados e metade da sua percentagem, comparativamente a 2009.

O BE de Francisco Louçã, que não conhecia outra coisa que não a derrota antes do nascimento do Bloco, voltou a experimentar o sabor amargo. Mas tal como antes, a consequência foi a mesma, manteve-se no poder. Postura que aliás é típica de partidos de esquerda minoritários.

Quanto ao futuro do Bloco, sem causas fracturantes para alimentar a militância e sem demonstrar capacidades governativas ou posturas de uma oposição credível e responsável, poderá ter um prazo. Resta saber se há Bloco para lá de Louça!

Sobre os restantes partidos e movimentos partidários concorrentes a esta eleição e não substimando os mesmos, a acção, o desenrolar da campanha e os resultados falam por si.

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