Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Comemorações do 25 de Abril

Discurso do Deputado Municipal do CDS-PP, Sr. Gabriel Sequeira, na Sessão Solene alusiva às Comemorações do 25 de Abril, no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Golegã:

"(...) Hoje, apelidado como o dia da liberdade, do fim da opressão infringida aos portugueses durante décadas, interessa comparar os Valores reconquistados com o que é hoje a prática da política ao nível local.

E em nome de uma liberdade readquirida, uma maioria de eleitos locais, pelo poder que lhes foi conferido através do voto democrático e livre, colocam na sua acção a máscara omnipotente da única autoridade deliberativa. Não reconhecendo que existem outros eleitos, conferidos pela mesma liberdade e democracia, que também sabem fazer política e que têm ideias, projectos e soluções, no objectivo comum a todos de contribuir para a evolução do Concelho e proporcionar a todos os que vivem, estudam, trabalham e visitam esta Vila, um lugar de referência e de excelência.

Na verdade, essa maioria política está sempre tão empenhada em dizer NÃO, sem base de argumentos e soluções, que se esquece que fazer política localmente é ter o bom senso quando se aplica a paixão ideológica e acima de tudo é promover, como se de uma cartilha se tratasse, os valores e os princípios de conduta na intervenção social.

Esta permanente atitude e consequente acção, que em todo contraria o acto de cidadania e a humildade democrática, vai reforçar na ideia geral do Munícipe, que aquele que assume cargos políticos, são pessoas sem ética, que vivem da dependência da gestão política e que funcionam num sistema fechado de ideias, subjugados aos interesses do partido e de uma carreira pessoal.

Mas a democracia portuguesa não é mais uma aprendiza. Já é madura e consolidada. E por isso, assumiu a Tolerância como um valor fundamental na interacção. O mesmo deve ser transposto, de forma desprendida e sem medo da sua sombra, na relação com os Munícipes e em especial na relação entre os seus representantes no Órgão deliberativo da autarquia, em nome do bem comum e da ética. Valores decisivos na afirmação de um Concelho mais humano, mais justo e mais equilibrado.

Fazer localmente boa política, não é só dizer SIM ao Executivo e NÃO à oposição dentro da Assembleia Municipal!

Assumir a obrigação de fazer boa política é contrariar com factos o que tem que se contrariar e desenvolver o que pode ser uma mais valia para o Concelho.

É enfrentar as dificuldades inerentes a todo o processo e contexto de crise em que estamos envolvidos e contrariar essa mesma crise, na sobreposição dos próprios valores de cidadania e de civilidade, para mobilizar os Munícipes à participação cívica e com ela melhorar a democracia local.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

A chave de fazer uma boa política local, é ser bons gestores do que é humano e social, sobrevalorizando-os, mesmo que isso entre de alguma forma em choque com a lógica partidária e assumir uma postura credível com responsabilidade cívica de solidariedade concelhia.

Nós, os autarcas somos o rosto dos eleitores, temos de ter a consciência da nossa própria vulnerabilidade e sabermos reconhecer que é por precisarmos uns dos outros, no pleno reconhecimento das nossas fragilidades, que pela nossa vontade e acção, devemos acrescentar à sociedade local, maior riqueza de valores, garantindo-lhe assim bases de sustentabilidade e de identidade colectiva para conseguirmos assim maior capacidade em enfrentar e solucionar os problemas e de ir ao encontro dos anseios de todos.

Apesar da lógica partidária e da posição dominante que um partido assume nos Órgãos Autárquicos deste Concelho é importante que a sua acção política exija uma prática constante de princípios democráticos que reforme costumes, desperte consciências e seja um exemplo de justiça, liberdade, igualdade, solidariedade e de inclusão social – valores de Abril – para vivermos numa cultura de bem estar.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

É ao nível local e cada vez mais que tem que imperar a ética política confundida com a ética social, pois a política feita localmente é uma responsabilidade inalienável na acção e postura como autarcas e representantes dos eleitores.

Se hoje recordamos os feitos e reconquistas de Abril, façamos com que aqueles que em nós depositaram a esperança e confiança, nos recordem como autarcas que fizeram a diferença e não simplesmente por termos sido mais uns que desempenharam estas funções.

Disse."

0 comentários: