Na Assembleia Municipal de 30 de Junho, passado próximo, o CDS-PP de Golegã questionou o Executivo Municipal sobre o incumprimento do expresso na Lei n.º 24/98 de 26 de Maio, sobre o Estatuto do Direito de Oposição.
Face ao seu reconhecimento, o Executivo Municipal, enviou para as forças políticas locais e também para o grupo de cidadãos independentes, com assento minoritário e representativo no Órgão deliberativo local, vulgo Assembleia Municipal e sem qualquer assento em lugares decisórios como a vereação, o Orçamento da Câmara Municipal para o ano de 2011 e para estes pudessem agir ao que é especificado na supra Lei citada sobre o direito de serem ouvidos sobre propostas dos respectivos orçamentos e planos de actividades.
E na sequência do documento recebido, da Câmara Municipal de Golegã, sobre as Grandes Opções do Plano e Orçamento do Município da Golegã para o ano de 2011 e em consonância com o disposto no ponto 3 do artigo 5.º do Estatuto do Direito de Oposição, expresso na Lei n.24/98 de 26 de Maio, o CDS, localmente representado pela Comissão Política Concelhia da Golegã, na pessoa do seu presidente, apresentou e em virtude de ausência de representação na vereação algumas propostas de forma a que as mesmas pudessem merecer o respectivo estudo e acolhimento, no Plano de Actividades Municipal para o ano de 2011, por parte do Executivo Municipal da Câmara de Golegã.
1. A primeira proposta tem haver com a necessidade da criação de um Gabinete de Apoio ao Empresário e ao Investimento, um espaço que permita maior e melhor acompanhamento, mais informação geral e especifica às empresas fixadas e também ser um pólo de atracção a novos investimentos com o objectivo principal de apoiar e incentivar investimentos, nomeadamente, turísticos e agrícolas, que pela sua dimensão, característica e importância estruturante sejam fundamentais como suporte duma política geradora de emprego.
Daí resulta não só o crescimento e desenvolvimento da região, como também o favorecimento dos seus habitantes, uma vez que possibilita a criação de mais e melhores postos de trabalho e mais e melhores serviços e recursos à disposição de todos.
Apesar desta proposta do CDS de criação deste Gabinete, na sua globalidade, representar uma despesa na sua criação e instalação, quer material e humano, entendemos que em face da conjuntura económica e financeira difícil que hoje vivemos, uma das soluções passa pelo incremento do investimento local.
Se o Município acolher esta proposta de uma forma, por ora, mais minimalista seria também uma boa opção, avançando na sua instalação a dotação das seguintes condições e competências:
- Realização do diagnóstico empresarial e plano de ordenamento industrial, agrícola e turístico do Concelho;
- Prestar informação relevante no âmbito de gestão do território do município;
- Informação sobre toda a matéria jurídica relevante para a actividade empresarial, inclusive sobre o processo constitutivo dos vários tipos empresariais existentes;
- Informação relativa aos instrumentos financeiros de apoio aos projectos de investimento, com relevância para as vantagens de índole fiscal e de contratação de trabalhadores;
- Preparação de dossier completo ao nível de incentivos à contratação, nomeadamente contratação de jovens à procura do 1.º emprego, desempregados de longa duração, estágios profissionais, entre outros;
- Constituição de linha aberta no IEFP para indicação de trabalhadores para as novas empresas;
- Constituição de uma base de dados de bens imóveis destinados a comércio e indústria;
- Protocolos com os vários gabinetes de consultoria do concelho, de forma a direccionar os investidores para estes escritórios, especializados na elaboração de projectos financiados pelo Quadro Comunitário de Apoio e pelos restantes programas de apoio ao investimento;
- Via verde em todas as operações de licenciamento comercial e industrial, quer na apreciação do projecto quer no licenciamento propriamente dito, inclusive de relocalização industrial, com a criação de um núcleo de aceleração de processos que acompanhará, em todas as fases e instituições, o processo de licenciamento;
- Fomento de Cooperação empresarial e do diálogo consequente com as associações do sector e o Instituto Politécnico de Tomar, o qual já existe um acordo de parceria com a Câmara Municipal de Golegã;
- Criação de rede de parcerias entre investidores e instituições empresariais, de investigação e conhecimento;
- Revisão ou estudo que vise a redução das taxas de construção e taxas de loteamento para novas unidades industriais;
- Criação de um fundo de financiamento que vise promover o alargamento do acesso ao capital e ao crédito, às empresas de pequena dimensão do Concelho, através de condições de financiamento preferenciais, com o objectivo de promover a dinamização do tecido empresarial local, estimular o investimento das micro e pequenas empresas e optimizar os seus produtos e serviços prestados através da participação financeira do IAPMEI, da CMG e de uma instituição financeira, esta com empréstimo bancário a uma taxa de juro preferencial, com prioridade a projectos de investimento promovidos por jovens empresários;
- Ajuda técnica proporcionada pelos Serviços Municipais, designadamente, na elaboração de projectos de implantação das infra-estruturas necessárias e de estudos económicos, bem como no acompanhamento da forma de ocupação do terreno e do volume das construções a edificar.
2. A outra proposta apresentada, num sector delicado e importante na vida do nosso Concelho e amplamente defendido pelo CDS-PP é a Agricultura. E no que concerne a este sector, apresentou-se um conjunto de propostas de fomento de novas estratégias para o desenvolvimento rural no ano de 2011:
- Fomentar a Competitividade no Mundo Rural
- Criação do chamada “Banco de Terras” que integre terrenos cujo destino é o aluguer ou venda, sendo a prioridade ou preferencialmente apresentado “jovens agricultores”;
- Promover o emparcelamento, ordenando o território e favorecendo a criação de áreas verdes agricultáveis de maior dimensão – PDM.
- Reforçar os Sectores Produtivos
- Favorecimento de um regime especial para licenciamento das construções agrícolas, simplificado nos procedimentos;
- Isenção de taxas de urbanização para as construções existentes e uma taxa reduzida para as novas construções, durante os próximos cinco anos e criação posterior de uma taxa específica mais reduzida para este tipo de construções.
- Apoiar a Comercialização
- Criação da Marca “Produtos da Golegã” e identificação e promoção dos produtos locais;
- Apoio à instalação de lojas e locais de venda dos “Produtos da Golegã” e outros produtos agrícolas.
- Favorecer mais ainda o Ambiente e o Turismo
- Reordenação e reforço na valorização de espaços verdes no Concelho, de forte impacto ambiental, didáctico e lazer;
- Utilizar e apoiar os agricultores em políticas de diversificação económica (turismo, lazer, cultura) local.
- Valorizar a Industrialização e a Agro-Indústria
- Captar empresas do sector Agro-industrial e favorecer a sua localização no Concelho – apoio à sua instalação em particular se dedicada à exportação;
- Incentivar, com outras entidades, a transformação de produtos agrícolas locais, suportando a Marca “Produtos da Golegã” e reforçando a competitividade agrícola.
Foram estas as propostas do CDS-PP, que é certo que terão impacto orçamental, embora não muito elevado, mas que poderão contribuir para a forte dinamização económica do Concelho, criação de riqueza e combate ao desemprego.
Entendemos que a sua inclusão no Plano de Actividades para 2011 e consequente Orçamento, seria uma mais valia e daí o nosso contributo, sendo certo que em caso de aceitação, o CDS de Golegã está disponível para agendar uma reunião no sentido da concretização de tais propostas.
Vamos aguardar as decisões resultantes da análise à mesma por parte do Executivo Municipal!


